Fire Emblem: Fortune’s Weave chegou ao Switch 2 com a missão de dar continuidade a uma das franquias mais queridas da Nintendo. O jogo aposta em uma narrativa dividida entre quatro protagonistas cujas histórias convergem em um futuro apocalíptico, mas nem tudo funciona como deveria.
Em análise em andamento, o título recebido com antecedência pela Nintendo mostra que a fórmula consagrada da série continua sólida, ainda que apresente tropeços em pontos específicos.
Quatro histórias, quatro rotas
Assim como em Three Houses, Fortune’s Weave permite vivenciar o enredo por diferentes perspectivas. Desta vez são quatro personagens: Theodore, uma rainha que busca restaurar a glória de seu reino; Cai, um jovem determinado a salvar o pai; Dietrich, que persegue um inimigo específico; e Leda, uma música movida pela vingança.
Todos encontram oportunidade nos jogos heróicos, duelos de gladiadores promovidos pelo rei de Dagda, continente e império onde se passa a trama. O vencedor tem direito a realizar qualquer desejo.
A narrativa é apontada como um dos grandes acertos, com protagonistas e personagens secundários cheios de personalidade e bem atuados. Um ponto negativo, porém, é a ausência de legendas em português, o que prejudica jogadores não fluentes em inglês.
Entre combates e relacionamentos
A estrutura retoma o sistema visto em Three Houses e se aproxima da franquia Persona: entre missões principais, o jogador tem tempo limitado para explorar Dagsion, a capital, e um vasto mapa do continente. É preciso dividir os dias entre treinar, cumprir missões secundárias e desenvolver relacionamentos com aliados.
Cada protagonista interage de forma distinta com essa mecânica. Theodore foca em comandar e recrutar batalhões para acelerar atividades, enquanto Cai usa seu passado no interior para plantar e recrutar animais para o esquadrão. São diferenças que tornam cada rota única para além do enredo.
O jogo permite vivenciar os arcos de forma paralela ou completar todo o primeiro ato com um personagem antes de passar para outro. A opção paralela, no entanto, não é explicada nos tutoriais e pode quebrar o ritmo da progressão. Jogar uma rota de cada vez oferece benefícios como locais revelados no mapa que permanecem entre personagens e bônus de experiência.
Batalhas tradicionais e novidades irregulares
A jogabilidade nos combates tradicionais mantém características clássicas da série: dificuldade que escala ao longo da jornada, morte permanente opcional para aliados, classes com vantagens e desvantagens e progressão baseada em perícias com armamento ou montaria.
A performance em batalha melhorou em relação aos antecessores no Switch, sem quedas de frames. Ainda assim, os gráficos não apresentam salto perceptível para a nova geração, com texturas pobres em diversos locais de Dagsion, e o jogo não ultrapassa os 30 frames por segundo.
As blaze arts são uma adição bem-vinda: ataques e habilidades que consomem vida de quem possui os itens especiais que as habilitam. Em um jogo com margem de erro estreita, esses poderes podem ser decisivos, trazendo risco e recompensa interessantes.
Essa complexidade, porém, se concentra nas batalhas da história principal, com mapas e condições de vitória mais criativas. Combates encontrados pelo mapa e gerados por missões secundárias sofrem de simplicidade e falta de detalhes, tornando-se tarefas maçantes. Os paralogues, missões secundárias mais importantes que podem alterar trechos da história, mantêm o nível de qualidade da campanha.
Skirmishes ficam devendo
Os skirmishes, novidade que parecia promissora nos trailers, não entregam todo seu potencial. Nessas dungeons, o combate muda para um estilo JRPG por turnos mais tradicional, com o jogador alternando entre personagens que compartilham uma única barra de vida e desferindo ataques individuais ou em duplas.
Na prática, a modalidade se torna repetitiva e sem graça rapidamente. Além da facilidade, o nível de complexidade dos combates tradicionais não se repete, e após algumas horas explorando as dungeons o jogador provavelmente recorrerá ao auto-battle ou repetirá o mesmo ataque.
Vale a pena?
Fortune’s Weave segue o padrão de qualidade dos antecessores, com história rica, elenco excelente e jogabilidade estratégica robusta. As novidades mecânicas têm altos e baixos, mas o jogo se debruça sobre a fórmula consolidada e entrega o maior e melhor título da série para o Switch.
Por vezes, esse tamanho pode parecer um pouco raso quando observado com mais atenção. A análise segue em andamento e será atualizada com nota e mais detalhes conforme o avanço no jogo.
Fonte da notícia: estadao.com.br
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