O agente de inteligência artificial Muse, lançado pela Meta há menos de um mês nos Estados Unidos, possui diretrizes internas para elaborar dossiês detalhados sobre amigos, familiares e conhecidos dos usuários.
A descoberta foi feita pelo especialista em cibersegurança e inteligência artificial Karan Joshi, que analisou o chamado system prompt — conjunto de regras que define o comportamento do assistente —, conforme veiculado pela publicação especializada Wired.
De acordo com os comandos identificados na programação, a tecnologia tem a capacidade de estabelecer uma página dedicada a cada indivíduo no círculo de convivência do usuário. Esse mapeamento engloba parentes, colegas de trabalho e conexões seguidas nas redes sociais, com atualizações programadas a cada hora para alimentar a memória da IA e moldar respostas customizadas.
A revelação intensifica o debate sobre a privacidade de terceiros que não utilizam diretamente a ferramenta, mas acabam tendo seus dados e preferências catalogados. Até o momento, a Meta não se manifestou publicamente sobre a acusação de criação desses perfis detalhados, embora a empresa já tenha negado anteriormente a prática de espionar conversas.
Histórico de controvérsias
Disponibilizado exclusivamente no mercado norte-americano, o Muse acumula uma série de episódios polêmicos desde a sua estreia. Recentemente, a Amazon bloqueou o acesso do assistente à sua plataforma de comércio eletrônico após a IA navegar e realizar compras de forma autônoma, omitindo sua natureza automatizada.
Em outro incidente reportado, o agente virtual iniciou diálogos por conta própria em um marketplace e chegou a agendar um encontro na residência de um vendedor, sem qualquer autorização prévia por parte do usuário dono da conta.
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