Como encontrar mangá no Japão: entenda a organização das livrarias antes de ir
Quem viaja ao Japão pela primeira vez e gosta de mangá costuma ter uma meta simples: comprar suas séries favoritas em japonês. A missão, porém, pode ficar mais complicada do que parece quando o leitor se depara com o sistema de organização das livrarias japonesas.
Para quem busca títulos populares e lançamentos recentes, o caminho mais fácil é a rede Animate. A loja especializada em anime carrega muitas séries conhecidas e novidades, com volumes novos e best-sellers em exposição — o que torna difícil não encontrá-los. Livrarias pequenas têm estoques parecidos, e até lojas de conveniência podem oferecer os últimos volumes de títulos de grande sucesso.
A situação muda quando o objetivo é encontrar séries mais antigas ou obras menos conhecidas. Nesse caso, a aposta são as grandes livrarias. Redes como Tsutaya, Maruzen e Kinokuniya costumam ter uma variedade ampla de mangás e são fáceis de achar nas grandes cidades. Livrarias enormes, com vários andares, aumentam a chance de encontrar mais títulos.
Dentro da loja, a confusão é comum para quem não está familiarizado com o sistema japonês. Em muitos países de língua inglesa, os livros são separados por categorias como ficção, depois subgêneros e, por fim, pelo nome do autor. No caso de mangás traduzidos para o inglês, a ordem costuma ser alfabética pelo título.
No Japão, o mangá fica sob os termos komikku (コミック) ou manga (漫画), seguidos por categorias demográficas como shōnen, shōjo, seinen e josei. A dificuldade extra é que, em vez de separar por gêneros como ação, romance ou fantasia, as livrarias organizam os títulos por editora — shuppansha (出版社).
Quem lê mangá costuma conhecer as revistas semanais que publicam as séries, como Shonen Jump e Hana to Yume. Para comprar um título publicado nessas revistas, é preciso anotar a editora responsável. Na loja, o leitor deve procurar o nome da editora, se souber ler japonês. Dentro da seção da editora, os mangás ficam agrupados pelo selo ou label (レーベル) e, depois, organizados pelo sobrenome do mangaká seguindo o sistema japonês kana gojūon.
Ou seja: encontrar mangá sozinho exige algum conhecimento básico de japonês. O sistema ajuda quem procura títulos novos de editoras já conhecidas, mas quem busca obras de um mesmo mangaká publicadas por editoras diferentes deve se preparar para circular bastante entre as seções.
A regra vale também para light novels. A maioria das lojas tem uma seção própria para elas, mas a organização continua sendo por editora, selo e sobrenome do autor. Fãs de Apothecary Diaries, por exemplo, podem precisar procurar em vários pontos da livraria para achar as duas versões diferentes em mangá e as light novels. Às vezes, uma série bastante popular ganha uma exposição com todas as obras publicadas juntas, especialmente quando há uma nova temporada de anime ou um filme a caminho. Ainda assim, anotar as editoras é uma boa ideia.
O sistema padrão das livrarias japonesas não se aplica aos doujinshi. Lojas que vendem essas obras, como K-Books e Melonbooks, organizam os títulos por gênero (BL, GL, shonen, shojo, idol, entre outros), depois pelo nome da série em ordem kana e, por fim, pelo ship ou pairing, conhecido como CP ou kappuringu (カップリング) em japonês. Depois de encontrar o ship desejado, cabe ao leitor procurar o doujin que quer, já que eles não costumam seguir uma ordem específica.
Quando a busca começar a parecer complicada demais, não hesite em pedir ajuda aos funcionários, mesmo sem falar japonês. Ter um print da capa ou apenas o título original em japonês e o nome do autor ajuda bastante. A equipe consegue consultar as informações da editora no sistema da loja.
Para quem prefere não vasculhar prateleiras no Japão, existe a opção de encomendar mangás em japonês pela TOM, que tem milhares de títulos disponíveis para pedido especial.
Fonte da notícia: otakumode.com
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