Temporada de furacões no Atlântico segue sem furacões em 2026; Fay enfraquece longe de terra

temporada de furacões no atlântico segue sem furacões em 2026; fay enfraquece longe de terra

Até 27 de setembro, sete tempestades tropicais receberam nome, mas nenhuma alcançou força de furacão. A Depressão Tropical Fay estava sobre o Atlântico central, sem avisos costeiros ou riscos terrestres no boletim mais recente consultado.

Atlântico chega ao fim de setembro sem um furacão

A temporada de furacões de 2026 no Atlântico entrou na reta final de setembro sem registrar um único furacão. O balanço do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), atualizado em 27 de setembro às 9h UTC, contabilizava sete tempestades nomeadas e nenhum furacão ou furacão de grande intensidade. O índice de energia acumulada dos ciclones também estava cerca de 90% abaixo da média de 1991 a 2020.

O dado chama atenção porque o período de maior atividade costuma ocorrer entre meados de agosto e meados de outubro. O pico climatológico é 10 de setembro, mas a temporada oficial vai de 1º de junho a 30 de novembro e pode produzir sistemas depois dessa data de pico.

A marca exige uma distinção importante: “nenhum furacão até agora” não significa que a temporada acabou sem furacões. Em 12 de setembro, a temporada já havia ultrapassado a data mais tardia para o primeiro furacão na era de monitoramento por satélite, iniciada em 1966. Em 21 de setembro, também superou a antiga marca de 1941. Antes da era dos satélites, tempestades distantes da costa podiam passar despercebidas, o que torna comparações com registros antigos menos completas.

Fay está fraca e distante, mas ainda é monitorada

temporada de furacões no atlântico
Temporada de furacões no Atlântico

O caso mais recente é Fay. Às 15h UTC de 27 de setembro, o NHC classificava o sistema como depressão tropical, com ventos sustentados de 35 milhas por hora — cerca de 55 km/h — e centro a aproximadamente 1.825 quilômetros a oeste-sudoeste dos Açores. Não havia avisos ou alertas costeiros em vigor, e o boletim não indicava riscos terrestres.

Para ser classificado como furacão no Atlântico, um ciclone precisa alcançar ventos sustentados de pelo menos 74 milhas por hora, ou 119 km/h. Com a intensidade informada no aviso, Fay estava muito abaixo desse limiar. O sistema ilustra por que a contagem de tempestades nomeadas e a de furacões são diferentes: uma tempestade pode ganhar nome e, ainda assim, nunca se intensificar o suficiente para virar furacão.

El Niño ajuda a explicar a temporada lenta

A NOAA manteve em agosto a previsão de uma temporada abaixo do normal e elevou para 75% a probabilidade desse cenário. A projeção revisada apontava de sete a 13 tempestades nomeadas, de duas a seis delas podendo virar furacões e de zero a dois podendo alcançar a categoria de furacão principal. Essas faixas abrangem a temporada inteira, não apenas o período que ainda restava em agosto.

Entre os fatores citados pela agência está o El Niño, que se desenvolveu no Pacífico equatorial. Esse padrão tende a aumentar o cisalhamento do vento — a mudança de velocidade ou direção dos ventos com a altura — sobre o Atlântico. Quando o cisalhamento é forte, ele pode desorganizar as tempestades e dificultar que elas se formem ou ganhem intensidade. A NOAA também ressaltou que águas oceânicas quentes, sozinhas, não garantem a formação de um furacão: a atmosfera precisa favorecer a organização das nuvens e das tempestades.

A anomalia aparece também no índice de energia ciclônica acumulada, conhecido pela sigla ACE. Ele resume a intensidade e a duração dos sistemas nomeados; não mede diretamente o risco de impacto em terra. O valor registrado pelo NHC até 27 de setembro estava muito abaixo do padrão climatológico, coerente com uma temporada de poucos sistemas e sem furacões.

Previsão sazonal não é previsão de impacto

A perspectiva de uma temporada menos ativa não permite concluir que nenhuma comunidade será atingida. A previsão sazonal estima a atividade total da bacia — que inclui o Atlântico, o Caribe e o Golfo do México —, mas não determina quando ou onde um ciclone chegará à costa. Essa avaliação depende de padrões meteorológicos de curto prazo e dos avisos emitidos para cada sistema.

Por isso, o quadro de 27 de setembro deve ser lido com precisão: o Atlântico ainda não tinha produzido um furacão, Fay estava enfraquecida e não representava ameaça terrestre no aviso consultado, mas a temporada seguia aberta até 30 de novembro. A notícia é a raridade do atraso, não uma garantia de que o risco desapareceu.

Referências

NHC — resumo da temporada atlântica de 2026, atualizado em 27 de setembro

[2] NHC — climatologia tropical e critérios de classificação

[3] AccuWeather — Atlântico ultrapassa recorde de atraso na formação do primeiro furacão

[4] NHC — aviso público da Depressão Tropical Fay, 27 de setembro de 2026, 15h UTC

[5] NOAA — atualização da previsão da temporada atlântica, 6 de agosto de 2026

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