TECNOLOGIA

Fundos de venture capital vivem ciclo de IA e nova liquidez

Veja como investidores de fundos de venture capital analisam o boom de IA, rodadas aceleradas e novas formas de liquidez no mercado.

Fundos de venture capital vivem ciclo de IA e nova liquidez
Imagem: TechCrunch

Os investidores conhecidos como Limited Partners (LPs), que fornecem recursos para os fundos de venture capital, vivenciam um momento lucrativo e atípico impulsionado pela inteligência artificial. Segundo especialistas do setor, grandes volumes de recursos estão sendo direcionados de forma concentrada para empresas como OpenAI e Anthropic. Esse movimento altera regras tradicionais de diversificação para buscar retornos no mercado de tecnologia.

Concentração em gigantes de inteligência artificial

Em análises sobre o cenário atual, Beezer Clarkson, da gestora LGT Capital Partners (sediada em Zurique), e Amit Bhatti, da TrueBridge (firma de Chapel Hill dedicada ao setor), detalharam as transformações recentes. Tradicionalmente, os LPs espalhavam aportes em vários gestores para mitigar riscos e evitar conflitos de interesse. Contudo, as avaliações de mercado de startups de IA subiram rápido, fazendo com que múltiplos fundos invitissem simultaneamente nas mesmas companhias.

Para Bhatti, a consolidação em poucas empresas de grande porte faz parte da dinâmica da indústria, na qual um pequeno grupo de ativos gera a maior parte dos ganhos. Em fundos com mais de dez anos, posições consolidadas em nomes como SpaceX, Databricks e Stripe já eram comuns. Agora, essa concentração ocorre em ritmo acelerado com OpenAI e Anthropic, sem gerar pânico imediato entre os investidores.

Ritmo acelerado de captação preocupa investidores

O ritmo de implantação do capital tornou-se um ponto de atenção para os LPs. Se no passado os fundos de venture capital buscavam novos recursos a cada dois ou três anos (entre 24 e 36 meses), hoje algumas gestoras retornam ao mercado em apenas 12 a 18 meses, ou até em um ano. Além disso, o tamanho médio das rodadas iniciais (seed) dobrou, exigindo cheques maiores dos gestores para liderar os aportes.

Apesar da velocidade levantar alertas, os especialistas apontam diferenças em relação ao ciclo de 2021, marcado por aportes em projetos de criptomoedas sem faturamento. Atualmente, startups de inteligência artificial alcançam a marca de zero a 100 milhões de dólares em receita em prazos inéditos. Para não perderem espaço em captações futuras, alguns investidores preferem reduzir o valor do cheque em vez de abandonar os gestores.

Mercado secundário e novas opções de liquidez

A busca por retornos financeiros ganhou novos contornos com a consolidação das vendas secundárias, que se somaram aos processos de fusões e aquisições (M&A) e ofertas públicas iniciais (IPOs). As transações secundárias passaram a ser utilizadas de forma estratégica pelos gestores. Se um fundo vende 20% de sua participação em uma grande empresa, ele pode conseguir retornar todo o valor investido originalmente para seus LPs.

Os eventos recentes que movimentaram o mercado de liquidez incluem:

  • Operações e vendas de participações na SpaceX;
  • Saídas estratégicas como a da Cerebras e IPOs recentes;
  • Grandes transações de M&A acima de 10 bilhões de dólares, incluindo um caso de 60 bilhões de dólares envolvendo a Cursor;
  • Programas de liquidez e ofertas para funcionários em empresas maduras como Stripe e Databricks.

Oportunidades para novos gestores e o papel de San Francisco

Mesmo com metade do capital concentrado em grandes firmas consolidadas, ainda há espaço para novos gestores. Equipes estreantes seguem levantando fundos com volumes entre 5 e 50 milhões de dólares. A TrueBridge, por exemplo, chegou a investir em gestores de 22 e 23 anos que administravam programas em universidades como MIT, Harvard e Stanford, e que investiram no início de startups como Cursor e Mercor. No caso da LGT Capital Partners, o cheque mínimo para investir em um fundo gira em torno de 5 milhões de dólares.

Na parte geográfica, a alta nos custos de moradia em San Francisco não retirou da região da Baía a sua forte densidade de talentos. Historicamente, a proximidade física entre fundadores e investidores mantém o local como o principal polo do setor, enquanto ex-funcionários de gigantes de IA começam a atuar como novos investidores no ecossistema.

O que esperar do setor de venture capital

Os investidores de fundos de venture capital navegam por um período de altos retornos potenciais, mantendo atenção aos prazos curtos entre captações e ao tamanho das rodadas. A maturidade do mercado secundário para gerar liquidez e o surgimento de novos gestores focados em IA devem continuar orientando os próximos ciclos de investimento.


Fonte original: TechCrunch. Consulte a publicação original para contexto e atualizações.

QUEM ESCREVE

Raphael

"Olá! Sou Raphael, criador do TecNerds.com.br, tenho mais de 8 anos de experiência em tecnologia. Meu blog é o espaço onde compartilho minha fascinação por inteligência artificial, gadgets, games, filmes, séries e tudo mais que envolve o universo geek. Seja bem-vindo(a) e embarque comigo nessa jornada tecnológica!"

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