A apresentação de novos projetos no setor de jogos eletrônicos costuma ser acompanhada por grande expectativa, mas o mais recente vídeo promocional de Humankind 2 enfrentou uma reação inesperada de parte do público na internet. Logo após a exibição do material durante o evento Gamescom Opening Night Live (ONL), diversos usuários usaram as redes sociais e fóruns para acusar a produção de utilizar inteligência artificial para gerar seu conteúdo visual, classificando o trailer com o termo depreciativo “AI slop”.
Diante do volume de críticas e suspeitas levantadas pela comunidade digital, a desenvolvedora responsável pelo jogo, a Amplitude Studios, decidiu agir rapidamente para rebater as insinuações. A empresa negou veementemente qualquer uso indevido de ferramentas de IA generativa no processo de criação da prévia e buscou esclarecer a verdadeira origem do material exibido na conferência internacional.
Acusações de conteúdo gerado por IA movimentam as redes
O termo “AI slop”, que vem sendo utilizado pela comunidade online para descrever conteúdos de baixa qualidade gerados por ferramentas automatizadas, foi o principal rótulo direcionado ao trailer de Humankind 2. Usuários nas plataformas digitais apontaram detalhes nas imagens que, segundo as alegações, indicavam padrões típicos de vídeos gerados por algoritmos de inteligência artificial.
Essa reação reflete uma desconfiança crescente entre os consumidores de jogos eletrônicos e artes digitais. À medida que as tecnologias de geração automática de imagem e vídeo se tornam mais acessíveis e difundidas, o público passou a observar com maior rigor crítico os materiais de divulgação apresentados em grandes eventos da indústria, buscando identificar possíveis atalhos na produção artística.
A resposta da Amplitude Studios e o vídeo de bastidores
Para colocar um fim às controvérsias e comprovar a autenticidade do seu trabalho, a Amplitude Studios negou publicamente as acusações. A desenvolvedora garantiu que a prévia apresentada na Gamescom ONL foi construída inteiramente por trabalho humano, reforçando o compromisso com a criação autoral e artesanal no desenvolvimento do título.
Além da declaração oficial, a equipe adotou uma estratégia direta de transparência ao publicar um registro em vídeo dos bastidores da produção. O clipe mostra a preparação do trailer e detalha a atuação de uma equipe inteiramente humana ao longo do projeto. De forma bem-humorada, a produtora ainda destacou a participação de pelo menos cinco galinhas durante as filmagens e a elaboração do material promocional.
Ao compartilhar o processo de criação por trás das câmeras, a desenvolvedora procurou demonstrar visualmente cada etapa da confecção do vídeo, desde os cenários e atuação até a montagem final. A intenção foi evidenciar que o produto final exigiu o esforço técnico e criativo de profissionais reais, afastando qualquer hipótese de automação por inteligência artificial.
O desafio da transparência no setor de games
O caso envolvendo o trailer de Humankind 2 ilustra como o debate sobre o uso de inteligência artificial na indústria do entretenimento atingiu um novo patamar de exigência por parte dos espectadores. Eventos de grande escala, como a Gamescom ONL, reúnem milhões de jogadores em todo o mundo, tornando qualquer dúvida sobre a autenticidade de um projeto um tópico de repercussão imediata.
A iniciativa da Amplitude Studios em divulgar o Making Of reflete uma necessidade recente que os estúdios enfrentam para documentar e comprovar a presença humana por trás de suas obras. Em um cenário marcado por discussões sobre o papel da tecnologia na arte, a publicação de evidências de bastidores surge como uma ferramenta para restaurar a confiança do público e valorizar o trabalho dos desenvolvedores envolvidos.
Com a confirmação de que o trailer foi elaborado por mãos humanas — e com a colaboração das cinco galinhas citadas —, a Amplitude Studios busca direcionar a atenção do público novamente para o desenvolvimento de Humankind 2 e para os próximos anúncios da franquia.
nn
Fonte: eurogamer





